Venho abordar um assunto importante para todos que praticam AIKIDO. Vejo com preocupação o crescimento desta arte marcial fundamentado somente em aspectos técnicos, e que relega os aspectos filosóficos e espirituais a um segundo plano.

Como ponto principal, gostaria de falar da filosofia denominada Wagatsu, cuja tradução é algo como “vencer a si próprio” e que o fundador do Aikido, Morihei Ueshiba tinha como fundamento em sua incessante “busca da verdade”. Eu mesmo tive a honra de receber, diretamente dele, alguns exemplares de Shikishi (Shodo feito pelo prórpio fundador com o ideograma do Wagatsu).

Quando nos colocamos em posição de tentar vencer ao oponente, fatalmente a tensão, a pressa e o nervosismo acompanham nossas ações e o resultado acaba sendo oposto ao desejado. O Aikido praticado dentro do espírito Wagatsu acontece com tranquilidade, elimina a força e a tenção dos braços, ombros e pernas. O movimento flui naturalmente.

Existe um outro princípio importante, mencionado por diversos mestres de várias artes, sintetizado pela expressão Munen Musso. Para explicar seu significado, uso os exemplos do cão inseguro e fraco que faz muito barulho para demonstrar uma suposta força e do animal realmente valente que se mantém em silêncio por não sentir a necessidade de provar a força que tem. Entre os aikidocas isso é bastante comum.

O Kishomaru Ueshiba Doshu é um exemplo de homem forte, do ponto de vista que os praticantes do Aikido deveriam entender. O Doshu nem mesmo mostrava reação à provocações ou se vangloriava da posição que ocupava. No Aikido, forte é quem consegue superar as dificuldades da vida com tranquilidade e naturalidade. Forte é quem ultrapassa os limites da própria insegurança, do medo e da ambição com humildade.

O Aikido deve ser visto como um conjunto de técnica, filosofia e espírito. O fundador da arte, Morihei Ueshiba, tornou-se mestre em Daitoryu Jujitsu e passou por várias etapas até chegar ao Aikido (Daitoryu Aiki Jujitsu, Ueshiba Ryu Aiki Jujitsu, Kobukan Aiki Jujitsu, Aiki Budo e, por fim, em 1943, Aikido).

Não apenas as técnicas, mas os fundamentos filosóficos evoluíram durante essa transição. Praticar o Aikido com base puramente técnica é ignorar todo o legado do fundador e retornar à etapa inicial.