Quando iniciei meu caminho no Aikido há alguns anos, ouvia muito a seguinte definição:

Aikido, a arte da paz!

Passados alguns anos tornou-se impossível deixar de comprovar que a definição acima é uma grande verdade, e por quê? Vou citar algumas poucas razões:

  1. Desde o primeiro dia aprendemos que somos de fato uma grande família, quando um falta por uma única semana que seja os demais já buscam saber seu destino, não de forma inquisitória, para acusá-lo (“Por que você faltou?”), mas pela preocupação natural que um ser humano deveria ter pelo bem estar do outro;

  2. Que a criação dos laços de amizade e familiaridade não só são bons como necessários, e esse é um dos grandes pontos positivos do Aikido, como um dojo ganha coesão quando nele é praticada a camaradagem, a familiaridade e a amizade, e a prova disso é que se você for perguntar à um Aikidoísta sobre seus amigos ele há sempre de lhe responder que seus verdadeiros amigos estão na maioria no Aikido ou mesmo na sua totalidade, por que via de regra as amizades no Aikido quando nascem são para toda a vida;

  3. Na prática do Aikido exercitamos a aquisição da autoconfiança e não arrogância, e um entendimento de si mesmo que se expressa em sua postura o que muitas vezes é interpretado pelos incautos como empáfia, mas no final das contas isso não acaba sendo um espelho onde o outro vê a si mesmo?

  4. Você nunca verá no Aikido alguém alcançar a faixa preta em 6 meses, porque na sua prática aprendemos que tudo na vida é vivência e experiência, e dessa forma o mais novo sempre respeitará o mais antigo porque isso é vivenciado na prática, e a consequência disso é a prática de Makoto (sinceridade) e isso é justiça, é a verdadeira recompensa do esforço, pois que nunca vi um venerado orientador, que dirá um Mestre, desenvolver-se de forma integral em tão pouco tempo;

  5. Há poucas semanas recebi de presente de um ex-aluno meu uma camisa, interessante é quando as outras pessoas constatam que mesmo seguindo um caminho diferente do meu nós não nos tornamos inimigos, ele me convida para seus eventos e vice-versa. Esse tipo de coisa só acontece por que o Aikido faz aquilo a que se propõe, ou seja, verdadeiramente colocar o amor na prática, pois em um caso como esse aprendi que às vezes pessoas que amamos seguem caminhos diferentes dos nossos por que precisam realizar uma missão que muitas vezes nós mesmos não temos “competência” para fazê-lo e aí é muito fácil você arvorar para si o direito de doador e detentor da verdade, ou seja o outro está sempre errado e eu sempre certo;

  6. Sempre que ocorrem exames de faixa, ao final realizamos uma tradicional confraternização, preparamos uma grande mesa no Tatame e mais uma vez, nesse momento, vemos como somos iguais, pois os faixas pretas não sentam-se separados dos outros e sim “junto com todos” se assim não fosse seríamos hipócritas pois estaríamos ensinando uma coisa e fazendo outra completamente diferente, não adianta ensinar aos meus alunos que devemos sempre lembrar de onde viemos se não faço isso na prática, isso aprendi com o maior líder que conheci em minha vida, meu falecido Mestre Reishin Kawai;

Como já falei muito, vou encerrar com uma faísca de sabedoria que recebi de minha esposa há 10 semanas atrás:

Até hoje não encontrei tanta sinceridade (Makoto) nas pessoas como tenho encontrado naquelas que praticam o Aikido!

Que todos sempre busquem o caminho de AIKI !!!!!

Sensei Paulo Candea – 4º Dan